Meu velho pai…

Meu velho pai…

Sou admiradora fiel de meu pai. Infelizmente decidiu viver no Pará. Digo infelizmente porque teve e criou os filhos entre Goiás e Rio Grande do Norte. Assim, somos nordestinos no Goiás e goianos no Nordeste. E ele fixou-se no meio do Pará nos obrigando a vir vê-lo sempre que podemos. Creio que escolheu o lugar por força de seu serviço com máquinas pesadas. No norte, havia mais oferta.

Nestas férias, passando uns dias com ele, me vejo as voltas com a cultura local. Infelizmente aqui em Parauapebas, há muito esgoto céu aberto ainda como em vários recantos do Brasil. A crise financeira está dominando…mas o povo está tentando.

Nestas viagens tradicionais de vermos nosso velho pai, levando minha mãe e trazendo se estabeleceu o seguinte. Rondar a situação, fazer suas comidas preferidas e ouvir suas memórias.

Ouvi-lo me torna mais sábia. Sua memória sobre os fatos políticos é vivaz e sua leitura de cada uma é bastante particular. Declara aos quatro ventos suas opiniões sobre algumas pessoas, sobre alguns comerciantes e sobre a falta de vergonha dos políticos. Um verdadeiro filósofo. “Um bando de brutos, estúpidos e ignorantes!” Cair nas graças de meu vivido pai não é fácil. Mas ainda acredita em seu íntimo que haja algum que se salve. Curioso. Relembra escândalos dos governos federais desde que ele se entende por gente, de crimes hediondos e até dos suspeitos com quem teve algum contado devido ao seu trabalho viajando por esse Brasil.

Esse nordestino-goiano-paraense viajado mais que todos nós da família, tem uma força na voz, no olhar e na vontade de viver que é admirável. Traz em seus ombros, anos de testemunho da vida e suas convicções. “Tenho certeza que o Getúlio Vargas não se suicidou! Mataram ele. Assim como mataram o Juscelino Kubistchek. Ele ia se candidatar de novo e ninguém ganharia dele. E a gente desconfia que o Tancredo também foi morto. Mas nesse caso, quem matou o Tancredo foi político. E jornalista que tem amor à vida não fala do exército.” Declara ele com aquela certeza no olhar. Desce a lenha nos últimos governantes e fica em cima do muro olhando para atualidade. Mas mostra decepção quando fala de certo ministro que deveria ser exemplo. Então ganha de vez meu coração quando diz que a Dilma não fez um bom governo porque era mulher. Não porque era incompetente, mas porque o brasileiro não está preparado para ter uma mulher nos altos postos. E dá exemplo da Argentina, da França, da Alemanha. E o mundo não está preparado também. “Poderiam até fazer melhor, mas os homens não aceitam. Não viu a paraibana Luiza Herondina como prefeita em São Paulo? Os homens não deixam as mulheres mostrarem sua competência. Eles são em maior número nos altos governos e por isso elas não conseguem, mesmo com mais competência, recebem menos, quando chegam lá. É muita gente trapaceira nesse mundo!”

Francimar Bezerra de Almeida
Professora da Rede Municipal
Autora do Sistema Pomares de Ensino
Presidente da Academia Morrinhense de Letras

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