Não é apenas um vírus…

Não é apenas um vírus…
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       Acordo e me vejo pensando sobre os acontecimentos últimos que assolam o mundo inteiro. Estávamos indo tão bem, despreocupados com as picuinhas de autoridades e autorizados, pensando sobre a candidatura a vereador do amigo que tinha certeza que você iria votar nele. Agora são muitos que desejam seu voto.
          De repente, começou uma onda de contaminação e morte que começou na China e se espalhou pelo mundo inteiro! As escolas fecharam, as pessoas se isolaram, os médicos e infectologistas arrancaram os cabelos, muitos deles perderam e continuam perdendo a vida em meio aos cuidados de pessoas que precisam urgentemente respirar.
           Ah, mas se fosse só isso! De repente um bocado de gente se aproveita para tentar tirar proveito da situação. Muito mais que antes! E a continuidade da situação enlouquece as pessoas, corta o coração de um tanto de pessoas, de outro tanto não. Milhares de pessoas se foram, mais cedo, por causa da pandemia.
       Como a internet é uma mãe, todo mundo escreve o que quer, com drama, com humor, com preconceito. Uns se dedicam a descobrir soluções para dar um fim no vírus, nesta situação toda. Então todos querem uma vacina. Mas não pode ser uma vacina totalmente eficaz não. Sua eficácia parece ser aquela que for lançada primeiro.
           O vendaval vai se complicando com os assassinatos de pessoas de pele negra, com o extermínio de pessoas homoafetivas, com explosões e protestos grandiosos. No Rio de Janeiro, são silenciosos, na praia, molhada pelas lágrimas de tantos corações em luto.
      E então chego no meu próprio coração. E percebo-me tão machucada, tão amargurada, tão amedrontada. E mesmo com o furacão que não é aquele que levou Dorothy do Kansas para o mundo de Oz, nos sentimos obrigados a sorrir, encarar os fatos, nos consolarmos, nos endireitarmos, nos amarmos, nos armarmos e nos protegermos. A nós e a quem amamos.
          O vendaval que se precipita sobre nós é real. Mas nós somos mais. E a força precisa ser renovada e retomada diariamente. E aos poucos, uns aos outros vamos nos convencendo de que tudo vai dar certo. Queiramos ou não, as coisas se ajeitam. Não do jeito que desejávamos anteriormente. Mas se ajeitam do jeito que é necessário.

 

 

Francimar Bezerra
 Professora, Jornalista, Escritora

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