Consigo, comigo, contigo

Consigo, comigo, contigo
Imagem disponível em: https://blogs.uai.com.br/pergunteaopsicologo/sinto-me-sozinha-sem-amigos-e-ninguem-se-interessa-por-mim-o-que-fazer/

     Estas palavras, além de serem pronomes pessoais do caso oblíquo, são também palavras que indicam encontros. Um perigo, na verdade. Talvez encontros proibidos de amores não aceitos pela sociedade, talvez amores que você não aceite, não aprove, não concorde.
    Infelizmente estes encontros vão acontecer, mesmo que você não queira. Você já encontrou-se consigo mesmo? Com certeza, você já disse uns desaforos para seu próprio eu por ter fracassado, por ter metido os pés pelas mãos, por não ter tido coragem de encarar os problemas, um amor pacífico ao invés de entrar de cabeça em um relacionamento cheio de problemas, fadado ao fracasso.
     Eu só tenho a dizer que vivo encontrando comigo mesma todos os dias. E mesmo que às vezes queira desaparecer de mim, fugir, esconder-me, despedir esta criatura, às vezes vil, às vezes maravilhosa. O fato é que vivendo comigo mesma, as vezes me recrimino por não ter feito o que deveria, como eu mais desejava. Sim, pois vivendo em sociedade, não é por acaso que acabamos fazendo o que a sociedade acha correto. E também me vejo batalhando para ser quem sou de verdade. Pois o encontro comigo mesma me faz querer ser quem realmente sou.
    O encontrar contigo é menos desagradável que encontrar-me comigo mesmo e tu, consigo mesmo. Pois ao encontrar-te, tenho oportunidades de não rir sozinho, não chorar sozinho, não beber sozinho, não descarregar um monte de pensamentos confusos somente em minha própria bili. Encontrar contigo é bem melhor que encontrar-me comigo pois tu podes mostrar-me coisas sobre mim que nem eu mesmo sabia ou saberia se tu não me disseste.
     Assim, você consigo mesmo, eu comigo mesma e nós num contigo, contínuo crescimento do eus e dos vocês. 

Francimar Bezerra
Professora, Jornalista, Escritora

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