E eu pensando que era só eu que sonhava

E eu pensando que era só eu que sonhava
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         Esta semana, cuidando da Agenda da coluna Água Corrente, fui resgatar um contato que há muito não vejo,  uma amiga de mais de 20 anos atrás. Uma professora, amiga minha, com quem dividi a direção de uma escola lá no Vale Dourado, bairro da periferia de Natal. Tenho cada lembrança vívida!
           Sempre admirei esta amiga pelas decisões que tomava e pela forma que ela envolvia todo mundo nas coisas da escola. Marido, filho, todo mundo entrava na história. Assim é família de professor. Pois não é que descobri que aquela mulher, a quem sempre imaginei sempre racional, me aparece agora querendo fazer uma biblioteca. Até já construiu o espaço, lá na praia de Carnaubinha, que traz a maresia e o cheiro do mar de minhas lembranças.
         Só sei que agora estou me sentindo na responsabilidade de ajudar nesse sonho da minha amiga, a quase três mil quilômetros! Um espaço cultural, resgate das tradições, mostrar o mundo dos livros, dar oportunidade pra crianças chegarem até o mundo da leitura…que sonho. De qualquer professor. Essa minha amiga também escreve. É claro que é teimosa e quando encasqueta com uma coisa, acho que até Deus vai se convencer. Olha só o poema dessa minha amiga, que põe no papel algo tão simples que vivemos…o mundo do nosso pensamento. 

Mistérios da Imaginação

Numa bela noite
Contemplando o luar
Peguei-me pensando
Como o criador
Fez mil maravilhas a nosso favor?

Vi milhões de estrelas
Iluminando o céu
E percebi quão grande é o firmamento
E o quanto é fértil e veloz
Nosso pensamento.

Pois enquanto eu olhava
Esse belo luar
O meu pensamento desandou a voar
E sem que eu quisesse
Embaralhou meu pensar.

Levou-me a lugares
Que eu não sabia
E que muito menos o conhecia
Ou imaginasse
Que ele existia. 

Olhei uma nuvem
Descobri uma ovelha
Que numa fração de segundos
Veio a se transformar
Em algo do outro mundo.

Parecia um macaco
Com cabeça de cobra
Tinha olho de coruja
E pés de pavão
Pescoço de girafa e juba de leão

Fechei os meus olhos
Pensei em gritar
Porém, de repente, lancei novo olhar
E vi que era um anjo
Que estava a acenar.

Esfreguei bem os olhos
Respirei bem fundo
Senti um alívio, gostoso e profundo
Segui pela praia, mais encantada
Com os mistérios do mundo.

Licenciada em Geografia e Letras
Lucineide Santana dos Santos

 

Francimar Bezerra
Professora, Jornalista, Escritora 
Coordenação de Jornalismo do NFCLASSIFICADOS

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