Incêndios aumentam, verba diminuem

Incêndios aumentam, verba diminuem
Imagem disponível em: https://www.inbs.com.br/principais-causas-de-incendios-florestais-no-brasil/

          Já não é novidade para ninguém no mundo que o número de queimadas no Pantanal aumentou em 2020, e muito, se comparado o mesmo período do ano passado. Segundo dados do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, já foram registradas aproximadamente 14.500 mil queimadas entre 1º de janeiro até 12 de setembro. Nesse mesmo período em 2019 eram 4.660 mil queimadas. 
      Quando olhamos para todo o Brasil, os números vão a 125.031 queimadas no país. Os mais alarmantes desde 2010, quando foram mapeados 182.170 focos de calor no mesmo período de tempo.  
          Os números do INPE registram um aumento de 493% de focos de queimadas se compararmos os 1.691 incêndios em 2018 confrontados com os 10.025 registro de queimadas em 2019. Uma perda de 15% da área total do Pantanal Mato-grossense. Para o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) mais de 1 milhão de hectares da floresta já foram destruídos.
       Pelo mesmo sofrimento que passa o bioma do Pantanal, assim passa a Amazônia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a área desmatada na Amazônia por conta do fogo foi de 1.359km² só em agosto. Considere-se estes números o segundo maior nos últimos cinco anos. Ano passado, neste mesmo período foram 1.714 km² da floresta.
         Outras regiões brasileiras ardem. Os biomas Pampa e Mata Atlântica também apresentam números em alta. Já a Caatinga no nordeste do país e o cerrado no centro-oeste brasileiro conseguiram diminuir os focos de calor.
      Na contramão dos números alarmantes de aumento de incêndios, já foi anunciado pela gestão executiva federal que os órgãos responsáveis por cuidar dos biomas do país vão receber menos recursos em 2021. A previsão é que serão cortados R$ 126,1 milhões do  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
         Segundo a proposta  presente no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) os repasses da União para o Ibama no próximo ano podem chegar a quase R$ 1,65 bilhão, sendo que cerca de 513 milhões vão depender da aprovação dos parlamentares. Já o Instituto Chico Mendes pode receber até R$ 609 milhões, mas 260,2 milhões desse valor deverão ser autorizados pelo Legislativo. Neste ano, os órgãos receberam respectivamente, em torno de R$ 1,7 bilhão e R$ 679,4 milhões.
       No orçamento do governo não está previsto nenhum recurso para o Programa de Prevenção e Controle do Desmatamento e dos Incêndios nos Biomas. Este ano foram autorizados pouco mais de 133 milhões para essa importante área. Queimadas e derrubadas da floresta, responsável pela qualidade do ar que respiramos e abrigo de milhares de espécies de animais e plantas, tão necessárias à preservação da vida e do equilíbrio do planeta, parece não ser importante.

Da Redação
Francimar Bezerra 

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