O medo e a coragem de mãos dadas

O medo e a coragem de mãos dadas
Imagem disponível em: https://al.se.leg.br/covid-19-indicacao-sugere-remuneracao-integral-para-profissionais-da-saude/

           Gostaria de tocar em um assunto muito delicado, pelo menos para muita gente é. O medo que temos da morte. Um fato é inegável. Todos nós vamos embora, todos nós vamos morrer…aliás, ao contrário do que alimentamos em nossa mente tentando nos consolar, a verdade é que quanto mais vivemos, mas perto da morte estamos.
           Estes tempos negros têm nos apavorado de tal forma que os consultórios psiquiátricos e os ansiolíticos estão em alta. Obrigados a mudar totalmente a forma de trabalhar, de organizar o tempo e encontrar saídas para conviver diariamente uma rotina que aos poucos vai se tornando deprimente, temos medo.
          Um medo de contaminar os pais, de perdê-los, de se perder de si mesmo. E por causa desse medo que está entranhado em nossas mentes e em nossa carne, precisamos ter coragem. Coragem de arriscar, de ajudar, de se doar. Coragem em acreditar que tudo vai dar certo, que as trevas irão passar, que poderemos novamente nos abraçarmos sem restrições, que a vida vai voltar para o eixo. 
           Mera ilusão. Esqueçam aquela realidade existente até os dois primeiros meses de 2020. Vivemos outro tempo. Quando as coisas estiverem controladas, teremos ainda medo de tocar, de abraçar, de aglomerar…quando tudo estiver menos perigoso, precisaremos encarar mudanças na forma de organizar as empresas, organizar o dia a dia, conviver socialmente.
           Ainda haverá medo, mas haverá mais coragem. Coragem de sair e fazer melhor, viver melhor, compreender melhor, valorizar mais as pessoas e os momentos, por mais breve que sejam. Haverá mais coragem em acreditar em um mundo novo, um jeito novo, uma vida que se renova. Esse será o novo ser humano.

 

 

Francimar Bezerra
Professora, Jornalista, Escritora
Coordena a Coluna Água Corrente

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