O prazer de descobrir, de transcender

O prazer de descobrir, de transcender
Imagem disponível em: https://institutovidaeconsciencia.com.br/treinamentos-e-formacoes/treinamentos/transcender-gaivota/

            Uma das coisas que mais me encanta no viver, é aprender. E esse aprender se torna muito mais excitante quando você sabe que está aprendendo. Uma coisa é você ler e descobrir uma história, calcular e encontrar a resposta para uma sentença matemática, conhecer o nome dos ossos dos mamíferos, memorizar o nome de todas as partes da célula e identificá-las, decorar todas as siglas dos elementos químicos da tabela periódica. E nossa vida é assim, um aprender diário de conceitos, funções e tudo mais em nossa vida. Outra coisa é aprender por prazer, com consciência, buscando o máximo, organizar o estudo e sistematizar a informação.
         Descobri recente um texto que já sabia superficialmente de sua existência. A história do rei Gilgamesh. Contada e cantada em versos. Uma epopeia que foi escrita ainda em tábuas de argila há quase cinco mil anos atrás e que foi um grande sucesso no mundo mesopotâmico. Uma epopeia é uma narrativa que apresenta uma aventura em grandes proporções, conta a história de um herói que tem talentos divinos, muitas vezes parte humano e parte deus e que tem uma jornada a cumprir.
        O poema do Rei de Uruk ficou escondido durante anos, soterrado nas ruínas da região da Antiga Mesopotâmia e só foi descoberto em 1890 d.C. Imagine você descobrir que está lendo uma história que foi esculpida em tábuas de argila em escrita cuneiforme há mais de vinte séculos atrás e que provavelmente essa narrativa inspirou outras narrativas que você já tem como únicas e verdadeiras!
            Descobertas como esta nos engrandece, nos enriquece, nos faz transcender para outro tempo, outra história, outros costumes. Para quem gosta de ler, de aprender todos os dias, ama a arte e a história, vale a pena MERGULHAR na história do Rei Gilgamesh que aprendeu a ser humano, que viveu a alegria da amizade em grandes aventuras, que sofreu a tristeza de perder um ente querido e que buscou a imortalidade e ao encontrar a resposta para tal, preferiu dividir com os seus anciãos, mas perdeu a chance de desfrutar desse momento numinoso, sagrado. O que o rei não sabia é que ele alcançou a imortalidade ao se transmutar em uma pessoa melhor. Sua imortalidade se deu quando sua história foi cantada e contada em 12 tabuinhas de argila. E chegou até nós. Tão real e tão cheia de lições. Recomendo esse, que é provavelmente o primeiro e mais antigo texto literário da história da humanidade.

Francimar Bezerra de Almeida
Professora, Jornalista, Escritora

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