O sentido do crochê na vida de Maria

O sentido do crochê na vida de Maria
FOTO: Maria Almeida

Experiência de uma vida criando peças de crochê, escolhendo a melhor linha e a melhor agulha para deixar o trabalho mais formoso. Um dom herdado e repassado de geração a geração, para os homens, mulheres e crianças da família. Ela diz: “… o crochê desestressa porque a gente vai fazendo e olhando ele se formar”  

        Eu faço crochê porque aprendi com minha mãe. Ela fazia e certamente aprendeu com a mãe dela, minha avó e certamente ela aprendeu com minha bisavó. Minha mãe fazia crochê e renda. Mas eu nunca aprendi a fazer renda. Eu faço muito crochê porque me faz desestressar, eu gosto de fazer.
      Gosto de fazer roupas e tapetes. Gosto mesmo! Essas coisas que são difíceis de fazer eu não dou conta, mas essas coisinhas fáceis, uma blusa, uma saia, um tapete, uma toalha de mesa, uma colcha, tudo eu gosto de fazer.
        Então eu faço e dou para meus filhos, para os meus netos, eu uso… se alguém encomendar eu faço. Já fiz algumas blusas para uma vizinha, há mais de 10 anos, e agora ela encomendou um tapete de pia.
Costumo presentear meus netos com colchas de crochê. Tenho dois netos que não têm colcha ainda. Mas eu vou fazer. Já dei vestidos, já dei tapetes para os filhos, para os netos, para as amigas.
       Eu presenteio muita gente, mas também já ganhei. Minha mãe me deu um jogo completo de cozinha muito bonito! Está guardado e faz parte da herança. Mais ou menos eu sei quem vai ficar com esse presente de crochê que foi da minha mãe.
       Me orgulho de dizer que ensinei a todos os filhos, menos o mais novo que não quis. Até meus netos aprenderam a fazer. Minha filha caçula fez um vestido pra ela com 7 anos. A mãe de meus netos também aprendeu e está fazendo crochê pra ninguém botar defeito.
       O crochê mais difícil que eu fiz até hoje foi uma colcha inteira sem emendar os quadros. Ficou muito pesada.
      Eu nunca tinha vendido uma colcha de crochê. Eu tinha 4 colchas de crochê e queria vender uma. Então vendi para minha sobrinha. Fiz uma pesquisa sobre preços e depois que fiz a propaganda da colcha. Fiquei feliz demais pela conquista.
      Eu recomendo a você que deseja fazer crochê e tem dificuldade, tenha paciência que vai aprender e vai desestressar.  É uma alegria terminar uma peça.  É um projeto concluído.
      Minha recomendação é que, quem não sabe fazer crochê, aprenda porque o crochê encanta. Você olha aquela peça crescendo, ficando bonita. Muitas vezes o desenho surge na cabeça, você inventa e sai bem o trabalho. Outras vezes, a gente vê os moldes e copia.  É uma tarefa de observação e engenharia.

Maria Almeida entrevista: 
Maria dos Milagres de Almeida – 72 anos.
Mãe, mulher, dona de casa. 
Alfabetizou as três primeiras filhas em casa somente com o segundo ano de escolaridade. 

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