Palavras de mãe

Palavras de mãe
Mateus André, integrante da Banda Municipal Lira Santa Cecília.

     Uma coisa é você sonhar em casar na igreja e no cartório, ter filhos, ter a casa cheia de netos e todo esse movimento da perpetuação da espécie. Outra coisa é você ficar grávida sem planejamento, ficar assustada com o POSITIVO no exame e ter que organizar sua vida sem o pai da criança, com os seus pais chateados, dúvidas sobre o trabalho, ser eternamente apaixonada por um primo e apontada na igreja como pecadora.
      Isso tudo no mesmo bolo. Tenho certeza que várias mocinhas já passaram por esse drama. Mas fora isso, a gravidez pode te trazer grandes surpresas e experiências, se você tiver personalidade forte e resolver encarar tudo de frente, assumir a responsabilidade. De repente você começa a falar no plural porque agora anda com uma pessoinha dentro de você. Depois, você acorda de madrugada sempre naquele horário porque é o horário que aquele serzinho resolve que é hora de fazer xixi. Então, de repente você passa a maior vergonha, pois a criaturinha decidiu ficar de um lado da barriga e passa a controlar sua estética abdominal.
    E se você for uma mulher bem informada, no quesito desenvolvimento infantil, como psicóloga ou professora, pois estudou isso na faculdade, vai querer colaborar com a educação do filhote já no ventre. Foi o que fiz. Resolvi que meu filho seria criado livre. Sem traumas na infância, sorridente, sem aquelas eternas ameaças maternas de surras e castigos. Confesso que perdi o controle umas duas vezes, outras, chorei e quis sair correndo. 
     Como sempre gostei de música clássica, e tinha várias coleções naquelas fitas cassete para ouvir no walkman, compartilhei meu gosto com o menino que crescia no meu ventre. Meu companheirinho. Na hora de dormir, colocava o aparelho em cima da barriga e adormecia ouvindo Beethoven, Vivaldi, Chopin e outros clássicos. Meu desejo era que pelo menos ele gostasse de música erudita. Mas o danadinho nasceu foi com o talento para a música. A música corria no sangue da criança, foi para a aula de música, tive que comprar um saxofone e o fiz com prazer, incentivá-lo em seus projetos. 
       E quando o vejo tocar, sinto que colaborei de alguma forma. Pode ser só uma coincidência, mas o rapaz ri como se fosse música, tem sensibilidade e eu o admiro de longe. Como se ainda estivesse no ventre. Ser mãe é amar esses seres, como se eles ainda estivessem no ventre, seguros, carregando-os e os protegendo…mas ser mãe é também deixar que o olhar o acompanhe por onde quer que eles sigam.
      Mesmo que as vezes seja uma surpresa, sem planejamento, acredite, não será apenas uma surpresa.

Texto: Francimar Bezerra de Almeida
   Professora, Jornalista, Escritora e Mãe  

 

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