Vivendo…feito água corrente.

Vivendo…feito água corrente.

A vida atualmente está tão, tão complexa que frequentemente paro para pensar em tudo que nos cerca… como vai girando a Terra com todos seus quase oito bilhões de seres humanos… com uma expectativa de 8,7 milhões de espécies de seres conhecidas e desconhecidas… com seres humanos que não são nada humanos, com gente tão amável e linda que chega doer no coração.

            De repente abro os olhos e percebo que aquele ódio que alimentava a existência dos povos do Oriente Médio está bem aqui, perto de mim. Ódio de nordestino, ódio de partidos, ódio de pobre, escárnio com as pessoas homoafetivas e pessoas obesas, indígenas e afrodescendentes deixam de ser gente; idosos, prostitutas e prostitutos são massacrados por suas especificidades e genialidades.

            No meu caso, estou inserida no grupo dos nordestinos. Mas já sei por que nós, nordestinos somos perseguidos e alguns poucos etnocêntricos, egocêntricos e egoístas tentam nos ridicularizar. O país começou no Nordeste. O Brasil foi povoado primeiramente no litoral e foram estes povos que se espalharam por todo o território nacional. Se estas quizilas todas forem por causa do sotaque, da capacidade de fazer humor ainda dá para perdoar.

            Desconfio contudo ser mesmo um pouco de ignorância e intolerância para com o diferente. Sendo assim, quem desqualifica o nordestino, desqualifica qualquer outro grupo que não traga os traços adequados à sua mente tortuosa. E a estes grupos os quais citei já no segundo parágrafo desse texto, sugiro que se firmem diante das ofensas e tenham a certeza de que todos precisamos ser como ÁGUA CORRENTE. Limpa, livre, leve, linda, longe de prisões mentais e rótulos, se espalhando pelo mundo e levando a riqueza de nossa língua, de nossa pele, de nossa cultura para o mundo. Quiçá fossem todos como os romanos que ao invés de destruir as culturas dos conquistados, as adotaram. 

Francimar Bezerra de Almeida
Professora da Rede Municipal
Autora do Sistema Pomares de Ensino
Presidente da Academia Morrinhense de Letras

Compartilhar

Deixe uma resposta