Você tem gosto de quê?

Você tem gosto de quê?
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      A gente que escreve tem a mania de ficar imaginando coisas e relacionando e comparando com outras coisas. Nós que temos a doce mania de expressar em palavras o que sentimos é porque não aguentamos a velocidade do pensamento e temos que por pra fora. Uns falam pelos cotovelos, para ouvidos, não tão atentos assim. Outros cantam no chuveiro. Eu escrevo.
       Certa vez li um texto falando sobre as cores das pessoas. Você é uma pessoa do tipo arco-íris ou do tipo roxo machucado? Vamos deixar essa reflexão de cores para outro dia. Hoje, pergunto o seu gosto. Não do que você gosta, mas que gosto você tem. Muito em nossas relações diárias se relaciona a comida. Afinal, não nos mantemos de pé se não ingerimos energia. Então, se você fosse um prato, que gosto você teria, que sabor teria? Aliás, que gosto você apresenta às pessoas.
       Tem pessoas que têm uma presença saborosa. E esse sabor não precisa ser de um prato fino, todo elaborado nos grandes restaurantes que empregam chefs famosos. Pode ser um arroz com feijão, bem feito, bem temperado e que muita gente não resiste. 
    Tem pessoas que têm sabor de macarrão. Com aquele molho caprichado, com aquela massa inconfundível, mas nada daquela parafernália toda que transforma o prato em um verdadeiro labirinto de sabores. Pra mim, pode ser até sem o queijo ralado. 
      E assim existem pessoas em nossa vida, tão saborosas de conviver, de ouvir, de sentir que nos lembram os sabores mais preciosos que imaginamos. Por outro lado, também existem pessoas com tanto dissabor que nem imaginamos querer estender o tempo com elas. 
      Pessoas ranzinzas, pessoas mal amadas, mal educadas, mal resolvidas que só conseguem nos despertar angústia, tristeza e desconfiança. 
       No geral, as pessoas todas tem sabores. E arriscando o jiló, tão querido por muita gente deve estar em alguém, não com seu amargo, mas por seu exótico resultado em farofas, tortas, omeletes e pamonhas. 
       Com certeza em nossa vida temos em nossos relacionamentos, pessoas que se derretem como sorvete, que nos apimentam com seu ardor, sua paixão, que nos encantam com sua desenvoltura de arroz branco, soltinho e nos prendem como as milhares de frutas existentes e seus deliciosos sabores.
        Bom mesmo seria se as pessoas todas fossem como água corrente em nossa vida: refrescantes e não frescas, renovadas e não carregadas de pesos, límpidas como a verdade e não transparentes que nem conseguimos tocá-las, cristalinas e puras como crianças e purificadoras nos fazendo cada vez melhores.  

Francimar Bezerra 
Professora, Jornalista, Escritora 

 

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